Abel Chivukuvuku em Moçambique no Congresso do MDM

O Presidente da CASA-CE está em Moçambique a frente de uma Delegação e a convite do Presidente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Daviz Simango, no II Congresso Ordinário deste Partido.

Abel Chivukuvuku espera contar com o apoio do MDM nas eleições autárquicas em Angola e pensa enviar ao Município da Beira, uma equipa de dirigentes do seu partido para colher experiências sobre a governação local. Tendo discursado no citado Congresso, aqui fica a reprodução do mesmo:

 Excelentíssimo senhor Presidente do MDM, Daviz Simango

Excelentíssimas senhoras e senhores, membros dos órgãos de direcção do Movimento Democrático de Moçambique

Distintos delegados ao II Congresso Ordinário do MDM

Minhas senhoras, meus senhores, queridas irmãs e irmãos.

Não vim aqui, nas lindas terras da Nampula para fazer discursos. Estou aqui convosco com a delegação que me acompanha, em gesto de solidariedade activa para para vos testemunhar a nossa fé na vossa causa por Moçambique e os moçambicanos, mas também e sobretudo para vos transmitir o nosso encorajamento neste longa e difícil caminhada para um destino de liberdade, de dignidade e de justiça social em Moçambique.

Meus amigos, meus irmãos, estamos juntos. Aceitem um abraço fraternal dos vossos irmãos angolanos para todos os moçambicanos.

Companheiros.Aceitem o abraço militante, dos membros da Convergência Ampla de Salvação de Angola – CASA-CE a todos os membros do Movimento Democrático de Moçambique.

Permitam-me agradecer o convite que me foi formulado pelo meu irmão mais novo Daviz Simango, em poder estar aqui convosco e acompanhar os trabalhos deste magno evento.

É também uma honra para mim e para a minha delegação termos tido a oportunidade de pela primeira vez, estarmos aqui na cidade de Nampula, no Norte do vosso grande país.

Companheiros! Na vida, nem sempre os autores de factos históricos, têm noção da importância do seu papel no momento que o exercem. Serão as gerações vindouras que irão avaliar e determinar o valor do papel que estais neste momento a desempenhar.

Por isso, distintos delegados. Este congresso ordinário do MDM tem de representar um contributo determinante para definição de estratégias futuras do MDM e consequente reorientação do rumo que Moçambique deverá trilhar nos próximos tempos.

A história da humanidade ensina-nos que com a justeza e audácia, tudo é possível. O senso comum também ensina-nos que nos momentos altos não devemos ser levados pela euforia, e nos momentos baixos não devemos sucumbir ao desespero. Os vossos actos, a vossa postura deverão sempre ser iluminados pela vossa certeza quanto a justeza dos vossos propósitos, para com os vossos concidadãos.

Caros compatriotas!

Eu, vosso irmão Abel Chivukuvuku, tenho uma paixão profunda pelo nosso continente, África. Mas tenho uma grande dor, perante o estado precário e lastimoso da vida dos nossos povos.

É inaceitável que em pleno século XXI, o continente africano continue a ser o continente mais atrasado do universo, quando, há meros 500 anos, alguns territórios da África tinham níveis de desenvolvimento comparáveis a vários países da Ásia e da América Latina.

É inaceitável que em pleno século XXI, a característica dominante das nossas sociedades seja a pobreza material das nossas gentes, dos angolanos, dos moçambicanos, de quase todos povos de África.

É inaceitável que em pleno século XXI, a juventude africana tenha perdido a latitude de sonhar e aspirar por futuro melhor. Também, fere a nossa dignidade, assistirmos a fuga desesperada e desenfreada de milhares de jovens africanos, que na tentativa de chegarem em terras europeias tornam-se vítimas dos novos modelos de escravidão. Mesmo com a dor no coração, consola-me a ideia de que dentre esses milhares de jovens africanos tudo indica que não existe nem moçambicanos, nem angolanos.

Companheiros!

É inaceitável que em pleno século XXI grande parte dos regimes africanos tenham como suas características definidoras o autoritarismo, a má governação, a insensibilidade e a corrupção.

Minhas irmãs, meus irmãos, companheiros. Pelos nossos povos, não podemos cruzar os braços. Pelos moçambicanos não cruzem os braços. Aí vêm as eleições locais intercalares. Os homens que arregacem as mangas. Ide ao encontro dos vossos irmãos e transmitam a mensagem de fé e esperança no futuro. As mamãs tirem os saltos altos ide ao encontro dos vossos irmãos e ofereçam consolo e compaixão. Voltem a ganhar as eleições locais na Nampula previstas para o próximo ano.

A vida ensina-nos que a qualidade dos processos políticos, económicos, sociais e culturais de cada sociedade ou país, é directamente proporcional a profundidade e a qualidade da participação dos seus cidadãos nesses processos.

Temos que ter a noção de que os desafios são enormes. Conhecemos os comportamentos, as atitudes, as tácticas e as manhas dos regimes que imperam nos nossos países. Consideram-se donos dos nossos países e das nossas vidas, por terem sido parte relevante das lutas de libertação nacional. Esses comportamentos não devem afectar a nossa fé e os nossos propósitos de lutar pelo bem dos nossos concidadãos. Tudo depende de nós próprios. A nossa geração tem a obrigação de produzir uma visão positiva, futurista, ambiciosa e realista, para que os nossos países saiam do marasmo e o atraso que os caracterizam actualmente. O Livro Sagrado ensina-nos que Deus Pai ajuda aquele que se ajuda a si próprio.

Caros companheiros.

Nós em Angola fizemos face aos mesmos desafios que vós tendes aqui. As naturezas dos regimes que imperam nos nossos países são similares. Não acreditam, nem respeitam os valores e os princípios dos estados democráticos e de direito. Em Angola esperamos ter as nossas primeiras eleições autárquicas em 2019 ou em 2020. Por isso, vou pedir ao senhor presidente Daviz Simango para que a CASA-CE possa enviar para a cidade da Beira, durante o ano de 2018 uma equipa de dirigentes para aprenderem e colherem ensinamentos da vossa experiência de exercício do poder local.

Senhor Presidente, permita-me endereçar-vos uma palavra particular, na qualidade de meus irmãos mais novos, o Daviz e o Lutero.

Meus irmãos! Tendes o dever e a obrigação de honrar o bom nome e a memória do nosso pai, o patriota moçambicano Reverendo URIA TIMÓTEO SIMANGO, barbaramente assassinado pelos seus próprios camaradas. Lutai afincadamente pela conquista dos pressupostos pelos quais ele deu toda a sua vida. Que o nosso pai repouse em paz nas terras moçambicanas de M´telela na província de Niassa.

Viva o MDM

Viva a CASA-CE

Viva Moçambique

Viva Angola e que Deus abençoe Moçambique e Angola.

Muito obrigado

Moçambique aos 5 de Dezembro de 2017

 

Todos por Angola, uma Angola para todos!

Data: 2017-12-08